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São Sebastião do Paraiso - MG

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Ronaldo Falladaise

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Gole d`água

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Era uma vez um casal que viviam bastante felizes, porém a rotina do dia a dia, o cansaço do dia de trabalho tornaram a sua convivência difícil.

O marido vivia insatisfeito, estressado e bastante infeliz, pelo relacionamento sofrível que tinha com a esposa. Todos os dias, ambos chegavam cansados dos seus trabalhos e o que acontecia entre os dois era um total desentendimento, desarmonia e impossível haver diálogo.

No momento em que ele chegava em casa, normalmente já encontrava a esposa que, indignada e não menos estressada com os afazeres do dia e mais o acúmulo do “terceiro expediente”, começava a falar e reclamar sem para, o marido por sua vez não aguentava a pressão e, impaciente, respondia em cima de cada palavra – quer gostasse, quer não gostasse.

Na verdade os dois não conseguiam se entender e ele, esbravejando, saía batendo a porta e só retornava bem tarde da noite. E, assim, aconteceu durante muito tempo.

Um amigo, com o qual normalmente desabafava o marido, aconselhou-o a procurar um homem que era tido como uma pessoa muito boa e capaz, especialista em aconselhamento de casais. Certamente, ele teria alguma solução para o seu problema com a esposa. Meio descrente, o machucado marido foi procurar o tal homem.

Foi ao encontro do tal homem e contou-lhe o seu problema com a esposa. Após ouvi-lo, o velho homem entrou em casa e voltou com duas garrafas – uma maior e uma pequena. A garrafa maior continha um líquido transparente. A menor estava vazia. Entregou ao visitante as duas garrafas e deu-lhe a seguinte orientação:

– Mantenha com você, sempre, esta garrafinha (por ser menor prática de carregar), cheia deste líquido que está na garrafa maior. No exato momento em que você for chegando em casa, tome um gole bem grande do líquido e fique com ele na boca, sem engolir, durante trinta minutos. Faça esta receita por dez dias consecutivos e, depois, volte aqui”.

O homem achou estranho, mas resolveu seguir a risca as orientações do outro. Foi embora e, como estava mesmo na hora de voltar para casa, resolveu fazer o primeiro teste. De fato, no exato momento que entrou em casa, levou a garrafinha à boca deixou o gole na boca durante os trinta minutos sem engolir. Sua esposa fez o de sempre: começou a falar, reclamar, dizer “cobras e lagartos” e o marido – no seu desespero de querer responder – não dizia nada.

Ao final dos trinta minutos, ele engoliu e aí… tudo o que ele queria responder, já não fazia mais sentido. Conversou outras coisas com a esposa e até dormiram juntos. Durante todos os outros dias, repetiu a receita e lá pelo oitavo dia, a esposa recebeu-o com ar de preocupação:

– Meu filho… o que é que você tem?! Eu fico o tempo todo falando sozinha, digo, digo e digo, e você… nada, não reage. Por outro lado, eu tenho sentido que estamos conseguindo conversar. O que é que está acontecendo?”

Bem feliz, agora, com os resultados alcançados, retornou no décimo terceiro dia à casa do velho. Lá chegando, indagou-lhe qual era o conteúdo milagroso que ele tinha lhe dado, ao que o velho respondeu:

– Ah! Era Água… com apenas um gole d’água na boca, você conseguiu fazer uma coisa que é o calo de muita gente: Saber Ouvir.

Jesus dizia que “precisamos ser prudentes como a serpente e dóceis como uma pomba” e, a serpente está atenta a tudo que a cerca. Há momentos que precisamos nos afastar, para poder chegar onde queremos, é preciso ter discernimento para recuar e avançar, a vida nos pede esta prudência. Necessitamos de ter prudência para agir na hora certa.

Precisamos estar em Deus, para termos prudência. Prudência é saber ouvir e calar no momento certo, não é se anular diante das coisas, não é deixar de falar por medo. O bonito de quem é prudente, é o discernimento, ela sabe como agir e reagir diante das situações.

Diz o apóstolo São Tiago que o homem perfeito é aquele que não peca pela língua. Calar é uma virtude que precisamos cultivar sempre a cada dia. Sabemos que não é fácil, pois queremos colocar para o outro a nossa verdade e não fazemos mal; Porém quando é feito com delicadeza e doçura.

Existem pessoas que se machucam muito fácil e não é sempre que estamos dispostos a falar com doçura, então nos dias difíceis o melhor é calar, do que agredir o outro com nossa franqueza. As vezes como falo, as vezes o que falo, as palavras e a forma de falar são responsáveis por um coração magoado. É preciso conhecer bem, para saber responder bem. Enquanto o conhecimento do outro não acontece, vamos exercitar o silêncio. De acordo com cada situação que se apresenta, conversemos com Deus e pedimos a ele, momento e palavras certas para assim responder bem aos que estão ao nosso lado.

Na vida de Nossa Senhora, encontramos um das mais belas virtudes: a tudo e a todos ouvia, mas guardava todas as coisas no coração. As vezes procuramos tantas penitências pra fazer, e essa para nossa santificação já basta. Então nos empenhemos para sermos melhores diante de Deus.